quarta-feira, 5 de junho de 2013

Eliane Rodrigues


Eu sempre gostei de ler todos os tipos e gêneros textuais, com exceção dos livros de literatura clássica, cuja leitura me era imposta pelos professores do ensino fundamental e médio. Eu não entendia direito o porquê de ter que ler aqueles livros com palavras antigas e fora do contexto em que vivíamos. E parece que a obrigação me desestimulava ainda mais e me impedia de abrir a mente e o coração para aquilo que estava lendo.
Minha família também não tinha tempo nem experiência para me motivar com a leitura. Pelo contrário, quando me viam parada lendo um jornal ou uma revista, eles diziam que eu era preguiçosa e que queria fugir das obrigações domésticas.
Considerando a simplicidade em que a minha mãe foi criada, até que ela tinha uma certa consciência da importância da educação, mas ela não conseguia entender como deveria motivar os filhos a estudar. Então nos dizia, simplesmente, que ir para a escola era uma obrigação.
Acabei vivendo uma adolescência conturbada, pois todas as pessoas próximas a minha família me consideravam uma adolescente rebelde. Diferente dos meus quatro irmãos, eu sai da escola muito cedo e fui lutar para crescer profissionalmente sem o estudo.
Até que tive sorte: com dezessete anos eu já era secretária da diretoria do CDL –Câmara dos Diretores Lojistas de Franca. Trabalhava dentro do prédio da ACIF, onde pude conhecer várias pessoas cultas e fazer vários cursos. Isso para mim era um privilégio, já que eu havia começado a trabalhar, com doze anos, na produção de uma indústria de calçados.
Com dezoito anos, eu já era dona de uma pequena fábrica de calçados e para aprender a administrá-la, eu fui obrigada a fazer inúmeros cursos profissionalizantes.
Depois de um certo tempo, eu tomei gosto pelo mundo da moda e criei o meu próprio currículo escolar para me capacitar para o trabalho de estilista de calçados, profissão que exerci por mais de doze anos.
Com mais de trinta anos, eu comecei o curso de letras porque precisava me aperfeiçoar no inglês e conhecer mais da literatura clássica, tudo por exigência do meu trabalho no setor calçadista. Porém, de repente, me senti completamente envolvida pelo mundo literário e acabei me apaixonando pela arte de lecionar.
Na faculdade, eu pude conhecer e compreender a magia das palavras escritas por grandes artistas, como Machado de Assis, Camões, Carlos Drumond, Castro Alves, Graciliano Ramos e tantos outros. O que me fez entender a arte literária e concordar com as palavras de Antonio Candido: “A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante.”
Por consequência, hoje tento motivar os meu alunos a gostarem de ler, pois não acredito que eles se tornarão leitores autônomos por simples obrigação. Antes de começar uma aula de leitura, eu explico o contexto histórico do texto e apresento o tema que vamos estudar. Também faço simulados de provas do Saresp com questões de leitura interpretativa. Assim, tenho conseguido despertar a curiosidade da maioria dos meus alunos para a leitura.

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