Este Blog foi criado por educadores da rede estadual de São Paulo e faz parte de um programa de formação a distância chamado "Melhor Gestão Melhor Ensino". Criamos este espaço para trocarmos experiência sobre o mundo da leitura interpretativa e exercitar a escrita colaborativa.Você é nosso convidado. Entre e interaja conosco! Conte-nos suas experiências de leitura e escrita...
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Grupo 4 – “Primeiros infortúnios”
Integrantes: Analice, Ana Maria Comparini, Alzira, Daiane, Márcia
Oficinas de leitura – Melhor gestão, Melhor ensino.
Justificativa: Este trabalho justifica-se pelo fato de que ensinar leitura, mais especificamente a leitura literária é fortalecer uma prática social, na qual os sentidos se constroem e se ampliam continuamente. Trabalhar com a leitura literária é, portanto, possibilitar a construção da autonomia e o desenvolvimento da proficiência do leitor, dando-lhe melhores condições de conhecer, construir e refletir sobre diferentes contextos da arte literária e da vida social.
Objetivos:
1- Aproximar o leitor de um texto literário, escrito em um contexto histórico diferente do seu;
2- Favorecer o reconhecimento das características do gênero textual romance;
3- Ampliar o repertório literário dos alunos;
4- Possibilitar a realização de inferências e levantamento de hipóteses sobre a continuidade do texto.
A- Antes da leitura - Encaminhamentos: Mobilização e iniciativa
- Levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos: Esclarecer os termos “Memórias” (memorial); sargento (contextualizado) e milícias para estimular os alunos a compreenderem quem é o sargento a quem o autor se refere;
- Apresentação do autor;
- Contextualização do momento histórico de produção da obra;
- Paráfrase do 1º capítulo (feita oralmente);
B- Durante a leitura: Estratégias
1- Propor algumas questões para favorecer a aproximação do leitor com o texto. (antes da leitura)
Observação do texto lido:
a) O que o título sugere? Quais hipóteses podem ser estabelecidas a partir dele?
b) Atente à expressão “Capítulo II”. Essa expressão faz parte do título? Sinaliza uma divisão da obra?
c) Identifique a fonte (suporte/veículo de divulgação) do texto. Apresentar o livro.
d) Qual o nome da obra de onde foi extraído o texto? Ele corresponde ao título do texto que leremos agora?
e) A quais conclusões podemos chegar a partir dessas observações? Leremos um conto, uma crônica ou um trecho de um romance?
2- Fazer a leitura compartilhada (dando pausas para eventuais explicações e/ou questionamentos e estimulando a realização de inferências - incluindo o léxico)
3 - Chamar a atenção das expressões que atribuem ao texto características literárias – ênfase nos modos de dizer e decorrentes efeitos de sentido.
(...) menino não desmentiu aquilo que anunciara, desde que nasceu: atormentava a vizinhança com um choro sempre em oitava alta (...)
(...) trazia-lhe bem maltratada uma região do corpo, porém ele não se emendava...
(...) alguém que estava na sala abriu precipitadamente a janela.
(...) a lembrança do amor aumentou-lhe a dor da traição.
(...) - És filho de uma piscadela e de um beliscão.
(...) - Ah! Disse o compadre com sorriso maligno, ao saber da notícia, foram saudades da terra!
(...) O vulcão de despeito que as lágrimas de Maria tinham apagado um pouco...
C- Depois da leitura:
- Identificar as principais ideias e personagens do texto;
- Pedir que escrevam uma “recontagem” do texto do ponto de vista de uma das personagens (mudança de foco narrativo – trabalhar as diferenças de linguagem);
- Elaborar ideias principais para cada um dos próximos capítulos (três, por exemplo);
- Questionar: quem é o sargento de milícias. Que pistas o texto nos dá sobre isso?
- Criar um final para o romance
Público alvo: 9º ano
Tempo previsto: 6 aulas
Meu Primeiro Beijo
Antonio BarretoÉ difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem
com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos
exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e
morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos
seus milhares de bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou
com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de
mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber
que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus,
veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias
e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou
na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina;
0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo
menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os
meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem
os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso
aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz,
fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro
de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns
segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos,
o abismo do primeiro beijo.Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos
apaixonados por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o
tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e
foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD,
1977. p. 134-6.
Extraído de http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22430
GRUPO DE TRABALHO 2 – TEXTO: “MEU PRIMEIRO BEIJO”, DE ANTONIO BARRETO
PROFESSORAS: Eliane Rodrigues, Ana Tereza, Ângela, Edmea, Edilaine, Eliane D’arc.
Tema: Descobertas na adolescência.
Objetivos: Trabalhar estratégias de leitura interpretativa
Justificativas: Necessidade de desenvolvimento da leitura e compreensão do texto lido (percursos de sentido) e construção de “comportamentos” de leitura com compreensão.
Desenvolvimento:
1) Antecipação do tema ( roda de conversa com questionamentos e levantamento de hipótese sobre o tema tratado).
2) Apresentação do título para que o aluno possa refletir sobre o mesmo e inferir sobre os rumos possíveis da narrativa.
3) Leitura do texto em voz alta pelo professor. Apresentação da biografia do autor. Após a leitura, fazer questionamentos sobre as expectativas anteriores de leitura e comparação com a história (levantamento e comprovação de hipóteses).
4) Leitura individual, destacando as palavras desconhecidas.
5) Montar vocabulário na lousa, aproveitando para mobilizar a consulta ao dicionário. Levar o aluno a buscar sentidos coerentes com o contexto.
6) Apresentação de texto informativo científico (DC) sobre as reações químicas na hora do beijo, destacando a intertextualidade e a interdiscursividade (como os textos dialogam). Inclusão de outros gêneros, por exemplo, artísticos, para observar como o beijo é retratado histórica e culturalmente.
7) Identificação do gênero textual (crônica), chamando a atenção para a tipologia narrativa, os verbos no pretérito e advérbios de tempo que ocorrem com frequência nesse gênero (e nos gêneros da narrativa).
Avaliação: reescrita individual de texto, no gênero e no tema trabalhados (paráfrase). Produção de texto de autoria sobre o mesmo tema (“descobertas na adolescência”) e no mesmo gênero.
CURSO MELHOR GESTÃO, MELHOR ENSINO
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM
Integrantes do grupo:
Daiane Aparecida de Rezende
Daisy Retucci
Neilise F. Granzoti
Heloísa Helena
Perbone Neves
Juliana Bianco
Peliciari Trovão
Tatiane Barcelos.
TEXTO: Meu Primeiro Beijo (Antonio Barreto)
Público alvo: Alunos
do 9º ano
I-ANTES DA LEITURA
HABILIDADES:
1. Levantamento de conhecimentos prévios sobre o assunto.
2. Antecipação do tema ou
ideia principal a partir do título.
3. Definição dos objetivos
de leitura:
4. Expectativas em função
da formatação do gênero.
5. Expectativas em função
do suporte.
ESTRATÉGIAS:
Habilidade 1:
·
Do que o texto vai tratar?
·
Com quem pode ter ocorrido?
·
É um assunto comum para qual idade?
Habilidade 2:
·
Do que o texto vai tratar?
·
Com quem pode ter ocorrido?
·
É um assunto comum para qual idade?
·
Observando o título, qual pode ser o tema ou a
ideia principal?
Habilidade 3:
·
A crônica utiliza-se das linguagens formal e
informal?
Habilidade 4:
·
A apresentação do texto permite descobrir o
gênero?
Habilidade 5:
·
Onde o texto foi publicado?
·
A partir do título do livro dá para saber qual o
público-alvo?
·
O tema abordado ainda é interessante para os
dias atuais visto que foi publicado em 1977?
II- DURANTE A LEITURA:
HABILIDADES:
1. Confirmação
ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou
durante a leitura.
2. Localização
ou construção do tema ou da ideia principal.
3. Identificação
das pistas linguísticas responsáveis pela continuidade temática ou pela
progressão temática.
4. Construção
do sentido global do texto.
5. Identificação
de referencias a outros textos, buscando informações adicionais se necessário.
ESTRATÉGIAS
Habilidade 1:
·
o que foi previsto se confirmou?
·
O foi semelhante ao previsto?
·
O que foi diferente? Como?
Habilidade 2:
·
Qual a ideia central do texto?
·
Em que parte do texto é possível encontrá-la?
·
Ela está implícita ou explícita?
Habilidade 3:
·
Quais palavras indicam a sequência de ações dos
personagens? E o tempo? E o local?
·
Quais as marcas de tempo e espaço?
Habilidade 4:
·
Após leitura silenciosa/individual, fazer uma
leitura colaborativa/compartilhada de cada trecho do texto.
Habilidade 5:
·
Pedir pesquisa a alunos sobre a ciência do
beijo/metabolismo.
·
Compartilhar em grupos.
·
Leitura de outro texto “Meu primeiro beijo” de
Machado de Assis. Ver semelhanças e diferenças – intertextualidade.
·
Filme “Meu primeiro beijo”
III – DEPOIS DA LEITURA
HABILIDADES:
1.Construção de síntese
semântica do texto.
2.Troca de impressão a
respeito dos textos lidos, fornecendo
indicações para sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.
3.Utilização, em função da
finalidade da leitura, do registro escrito para melhor compreensão.
4. Avaliação crítica do
texto.
ESTRATÉGIAS:
Habilidade 1:
·
Resumo do texto
Habilidade 2:
·
Promover a troca democrática das impressões com
base em argumentos e respeito às diversas opiniões.
Habilidade 3:
·
Estimular a elaboração de esquemas escritos e
orais.
Habilidade 4:
·
Cada aluno vai posicionar-se em relação ao tema,
assim como ouvir a do colega.
·
Haverá mediação por parte do professor entre as
opiniões dos alunos e o tema do texto.
·
Roda de conversa e troca de impressões.
domingo, 9 de junho de 2013
Eu sou a Daiane. Conclui o curso de graduação em Letras Português/Inglês
recentemente, em 2012, e já estou lecionando neste ano na E.E. Sudário Ferreira
como professora contratada de língua inglesa e auxiliar em língua portuguesa
para o ensino fundamental - ciclo II.
Escolhi a profissão pelo amor em ensinar a acreditar que posso fazer
algo positivo pela educação, embora na prática as dificuldades sejam muitas,
ainda tenho esperanças em melhorar a educação com a minha contribuição para
isso.
Daiane Isabel Garcia Rocha
Ler para mim sempre foi um grande desafio, pois não gostava da
leitura até descobrir no curso de graduação em Letras todo o encantamento que
envolve um texto, seja qual for seu gênero.
Na infância era ansiosa para aprender a ler logo, pensava comigo
mesma que quando aprendesse leria tudo o que visse pela frente. E assim eu fiz,
quando aprendi, saia e ficava lendo todos os letreiros que via na rua, lia bem
rápido para tentar ler o máximo que podia quando estava passeando pela cidade.
Pelo que me recordo aprendi a ler na escola, pois minha família
não incentivava a leitura em casa, meu pai estudou somente até o ensino
fundamental – ciclo I e minha mãe nem chegou a estudar, pois precisou trabalhar
desde muito cedo com nove anos de idade para ajudar a família. Meu irmão e
minha irmã mais velhos me ajudavam nas tarefas, mas também não me incentivam a
ler, talvez porque também não tivessem sido incentivados. Porém toda a minha
família sempre me apoiou para estudar e cursar uma universidade.
Um fato que me lembro foi na quarta série, hoje quinto ano,
minha professora pedia toda semana a leitura de um livro e tínhamos um caderno,
no qual precisávamos fazer sempre as mesmas atividades sobre o livro lido:
falar sobre os personagens, enredo, entre outros e no final solicitava um
resumo e desenhos sobre a história do livro. Tinha “pavor” destas atividades,
pois precisava fazer nos finais de semana, então fui para as séries seguintes
não gostando de ler.
Como mencionei no início somente na graduação que pude ver com
outros olhos a leitura, principalmente a literária, a riqueza que ela traz, o
sentido amplo que possui e sua dimensão social, apaixonei-me.
Quanto à escrita sempre gostei muito de escrever, comecei com o
meu diário quando criança (ainda tenho um, mas agora não tenho mais tempo), e
depois fui para os textos escolares, e-mails no trabalho e textos acadêmicos.
Amo poesia e até já me arrisquei em fazer um soneto para meu
noivo.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Depoimentos do grupo 3:
Daiane Aparecida de Rezende Jardim
Quando criança, minhas amigas da rua eram todas mais velhas do que eu, por isso já iam à escola. Quando voltavam adoravam brincar de “escolinha”, me ensinavam tudo que aprenderam naquele dia na aula.
Com isso minha experiência com a leitura escrita aconteceu bem antes que eu entrasse na escola, embora meus pais não tivessem concluído os estudos, minhas amigas adoravam contar as histórias dos livros que pegavam emprestados na escola.
Recordo-me disto como se fosse hoje, após a leitura sempre virávamos os personagens daquela história e assim brincávamos até anoitecer. Nossos pais ficavam na calçada ali do lado, observando, acredito que no fundo queriam, ou imaginavam, estar ali dentro daquelas maravilhosas histórias,
Acho que foi assim que resolvi ser professora, e de língua Portuguesa, pois esta é uma das recordações da minha infância que mais gosto de lembrar, e tenho certeza que ela fez com que eu tomasse o rumo profissional que tomei...
Daiane Aparecida de Rezende Jardim
Quando criança, minhas amigas da rua eram todas mais velhas do que eu, por isso já iam à escola. Quando voltavam adoravam brincar de “escolinha”, me ensinavam tudo que aprenderam naquele dia na aula.
Com isso minha experiência com a leitura escrita aconteceu bem antes que eu entrasse na escola, embora meus pais não tivessem concluído os estudos, minhas amigas adoravam contar as histórias dos livros que pegavam emprestados na escola.
Recordo-me disto como se fosse hoje, após a leitura sempre virávamos os personagens daquela história e assim brincávamos até anoitecer. Nossos pais ficavam na calçada ali do lado, observando, acredito que no fundo queriam, ou imaginavam, estar ali dentro daquelas maravilhosas histórias,
Acho que foi assim que resolvi ser professora, e de língua Portuguesa, pois esta é uma das recordações da minha infância que mais gosto de lembrar, e tenho certeza que ela fez com que eu tomasse o rumo profissional que tomei...
EDILENE ALVES ARANTES
Minha família muito simples, interior de Minas Gerais, sem acesso a livros, porém meu pai é um maravilhoso contador de história "causos", e isso despertou-me o interesse por leitura . Adoro ler, lia exemplares emprestados de colegas mais abastados. Meus professores incentivavam muito a leitura promovendo saraus , roda de causos, e sou professora devido a essas atividades . Não me esqueço de " Zezinho, o dono da porquinha preta", " A ilha perdida", e de todos os personagens do Sítio. Lembro-me o dia em que aprendi a ler, foi maravilhoso- Ivo viu a uva- a cartilha Caminho Suave. Uma leitura muito limitada, porém , mostrou-me o caminho maravilhoso dos livros. Hoje meus filhos são leitores, por me verem lendo... O exemplo vale mais que mil palavras. Essa geração ainda não descobriu a maravilhosa viagem pela leitura. Amei As mil e uma noites, Sherazade revelando a astúcia e poder das palavras, transformando situações.Como Antônio Cândido afirma " a leitura é o afinamento das emoções, capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o culto do humor", enfim, a leitura abre várias possibilidades e perspectivas ao ser humano, tornando-o compreensivo, disposto a novas possibilidades. Creio ser a varinha mágica dos novos e velhos tempos. Um abraço.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Eliane Rodrigues
Eu sempre gostei de ler todos os tipos e gêneros textuais, com exceção dos livros de literatura clássica, cuja leitura me era imposta pelos professores do ensino fundamental e médio. Eu não entendia direito o porquê de ter que ler aqueles livros com palavras antigas e fora do contexto em que vivíamos. E parece que a obrigação me desestimulava ainda mais e me impedia de abrir a mente e o coração para aquilo que estava lendo.
Minha família também não tinha tempo nem experiência para me motivar com a leitura. Pelo contrário, quando me viam parada lendo um jornal ou uma revista, eles diziam que eu era preguiçosa e que queria fugir das obrigações domésticas.
Considerando a simplicidade em que a minha mãe foi criada, até que ela tinha uma certa consciência da importância da educação, mas ela não conseguia entender como deveria motivar os filhos a estudar. Então nos dizia, simplesmente, que ir para a escola era uma obrigação.
Acabei vivendo uma adolescência conturbada, pois todas as pessoas próximas a minha família me consideravam uma adolescente rebelde. Diferente dos meus quatro irmãos, eu sai da escola muito cedo e fui lutar para crescer profissionalmente sem o estudo.
Até que tive sorte: com dezessete anos eu já era secretária da diretoria do CDL –Câmara dos Diretores Lojistas de Franca. Trabalhava dentro do prédio da ACIF, onde pude conhecer várias pessoas cultas e fazer vários cursos. Isso para mim era um privilégio, já que eu havia começado a trabalhar, com doze anos, na produção de uma indústria de calçados.
Com dezoito anos, eu já era dona de uma pequena fábrica de calçados e para aprender a administrá-la, eu fui obrigada a fazer inúmeros cursos profissionalizantes.
Depois de um certo tempo, eu tomei gosto pelo mundo da moda e criei o meu próprio currículo escolar para me capacitar para o trabalho de estilista de calçados, profissão que exerci por mais de doze anos.
Com mais de trinta anos, eu comecei o curso de letras porque precisava me aperfeiçoar no inglês e conhecer mais da literatura clássica, tudo por exigência do meu trabalho no setor calçadista. Porém, de repente, me senti completamente envolvida pelo mundo literário e acabei me apaixonando pela arte de lecionar.
Na faculdade, eu pude conhecer e compreender a magia das palavras escritas por grandes artistas, como Machado de Assis, Camões, Carlos Drumond, Castro Alves, Graciliano Ramos e tantos outros. O que me fez entender a arte literária e concordar com as palavras de Antonio Candido: “A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante.”
Por consequência, hoje tento motivar os meu alunos a gostarem de ler, pois não acredito que eles se tornarão leitores autônomos por simples obrigação. Antes de começar uma aula de leitura, eu explico o contexto histórico do texto e apresento o tema que vamos estudar. Também faço simulados de provas do Saresp com questões de leitura interpretativa. Assim, tenho conseguido despertar a curiosidade da maioria dos meus alunos para a leitura.
domingo, 2 de junho de 2013
Este Blog foi criado por educadores da rede estadual de São paulo e faz parte de um programa de formação a distância chamado "Melhor Gestão Melhor Ensino". O programa tem o objetivo de envolver cerca de 65 mil educadores da rede estadual paulista dos anos finais – 6º ao 9º ano – do Ensino Fundamental em uma série de ações voltadas para o aprimoramento das competências que beneficiará cerca de 1,7 milhão de alunos.Nós somos professores de Língua Portuguesa, uma área do conhecimento que, junto com a Matemática, forma a base para a aprendizagem das demais disciplinas.Criamos este espaço para trocarmos experiência sobre o mundo da leitura interpretativa e exercitar a escrita colaborativa.Você é nosso convidado. Entre e interaja conosco!
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